Banimento de tablets nas escolas: o que os países fizeram
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Banimento de tablets nas escolas: o que os países fizeram

Nos últimos anos, governos que apostaram pesado em tablets e computadores nas salas de aula começaram a rever suas escolhas e a devolver espaço ao livro impresso, ao caderno e à escrita à mão. Para quem gere uma rede de escolas, a pergunta é direta: o recuo é modismo ou há evidência consistente por trás dele? A resposta exige olhar para casos reais, datados e documentados, e separar o que foi decisão política do que foi conclusão de pesquisa.

Suécia: o recuo mais conhecido

A Suécia foi um dos países mais digitalizados da educação básica e se tornou o caso de referência no debate. Em 2023, o governo sueco, por meio da ministra da Educação Lotta Edholm, anunciou a retomada dos livros impressos nas escolas e o investimento público na compra de livros didáticos, argumentando que a digitalização precoce havia deixado lacunas em leitura e escrita. A Agência Nacional de Educação (Skolverket) passou a recomendar menos tempo de tela na primeira infância escolar. O pano de fundo incluía os resultados do PIRLS, avaliação internacional de leitura coordenada pela IEA: entre 2016 e 2021, a média sueca de leitura no quarto ano caiu de 555 para 544 pontos, ainda acima da média internacional, mas com queda perceptível. Importa registrar que o PIRLS não prova, sozinho, que o digital causou a queda, e os próprios suecos reconhecem outros fatores, como a pandemia e mudanças demográficas. O que o caso mostra é que um sistema com acesso universal à tecnologia decidiu que o impresso merecia voltar ao centro do processo de ensino.

Dinamarca e Noruega: leitura e atenção em debate

Na Dinamarca, o debate ganhou força após a divulgação de relatórios de especialistas convocados pelo governo sobre o bem-estar de crianças e jovens. Em 2024, uma comissão criada pelo Ministério da Infância e Educação recomendou limitar o uso de celulares e outros dispositivos em sala, e o governo dinamarquês passou a propor restrições mais rígidas e a incentivar práticas de leitura e escrita analógicas. Na Noruega, autoridades educacionais também passaram a orientar as escolas a reduzir o uso de telas nas séries iniciais e a priorizar a leitura em papel, em um movimento paralelo ao sueco. Nos dois países, o motivo central declarado não foi a rejeição da tecnologia, e sim a preocupação com a concentração, com a leitura aprofundada e com o desenvolvimento da escrita manual. É uma distinção importante: o que se reviu foi o excesso e a precocidade, não o acesso.

Finlândia e França: a mão e o celular

A Finlândia, referência histórica em educação, revisou seu currículo nacional para reforçar a escrita à mão e a leitura de textos longos, preocupada com a perda de habilidades básicas no ensino fundamental. Já a França proibiu o uso de celulares nas escolas de ensino fundamental e na etapa de transição para o ensino médio, com a lei em vigor desde o início do ano letivo de 2018, e depois testou a pausa digital em estabelecimentos selecionados a partir de 2024. Nesse caso, o alvo foi o aparelho pessoal, e não o material didático, mas a lógica é a mesma: proteger o tempo de atenção e a interação em sala.

O que os dados de avaliação realmente mostram

É aqui que a análise precisa de rigor. A evidência mais citada vem do relatório da OCDE sobre o PISA 2015, intitulado Students, Computers and Learning, que concluiu que os países que investiram fortemente em tecnologia educacional não apresentaram melhoria perceptível nos resultados de leitura, matemática e ciências, e que o uso moderado de computadores na escola se associava a resultados melhores do que o uso muito frequente. Outro ponto é a pesquisa sobre compreensão leitora: a meta-análise de Delgado e colaboradores, publicada em 2018 na revista Educational Research Review, reuniu dezenas de estudos e encontrou vantagem do papel sobre a tela na compreensão de textos informativos, sobretudo quando a leitura é feita sob limite de tempo. Esses dados não sustentam a tese simplista de que o digital prejudica tudo, mas indicam que a substituição integral do impresso carece de respaldo. Para um aprofundamento sobre esse corpo de pesquisa, vale conferir a análise sobre o que a ciência diz sobre aprender no impresso e no digital.

O que uma rede de escolas brasileira pode aprender

O Brasil também discute o tema: a Lei 15.100, de janeiro de 2025, restringiu o uso de celulares nas escolas de educação básica, o que mostra que o debate já chegou ao plano legislativo. Para uma rede que opera várias unidades, a lição mais útil dos casos estrangeiros é metodológica. Primeiro, nenhum dos países recuou por ideologia, e sim depois de acumular dados e sinais de problema, o que sugere que decisões de material devem vir acompanhadas de indicadores próprios de leitura e escrita. Segundo, os recuos foram graduais e focados nas séries iniciais, onde a alfabetização e a escrita manual pesam mais. Terceiro, a pergunta madura não é impresso ou digital, e sim qual formato serve a qual objetivo pedagógico: leitura longa e aprofundada tende a se beneficiar do papel, enquanto pesquisa, simulação e prática interativa podem render mais no digital. Redes com várias unidades têm a vantagem de poder testar: aplicar formatos diferentes em turmas comparáveis e medir antes de padronizar para toda a operação. Isso exige, porém, flexibilidade logística para produzir material em tiragens variadas, atualizá-lo com frequência e ajustá-lo por unidade, algo que o modelo tradicional de grandes tiragens fixas dificulta.

Como a iPressnet resolve

A impressão sob demanda existe justamente para dar a redes de ensino essa liberdade de decidir com base em evidência. Em vez de comprometer todo o orçamento e o estoque com um único formato, a escola ou a rede pode produzir apostilas e livros nas quantidades de que cada unidade precisa, testar versões diferentes do material em turmas distintas e revisar o conteúdo sem descartar edições encalhadas. É um caminho prático para quem quer manter o impresso onde ele comprovadamente funciona, sem perder a capacidade de adaptação. Se a sua rede está avaliando o próprio material didático, converse com a iPressnet sobre como produzir apostilas e livros impressos sob demanda para as unidades da sua rede.

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